Fabiana Tamashiro: ela começou com R$ 700 e agora representa o Brasil no mundial de pizza
Há histórias que começam no lugar mais improvável. A de Fabiana Hadama Tamashiro começou com R$ 700, um forno montado com as próprias mãos, azulejos colados na parede e uma vontade que não cabia nos recursos que tinha. Junto com o marido, Rafa, ela fundou a Favoretto — a primeira pizzaria do casal — sem saber muito bem onde aquilo ia dar. Só sabiam que precisavam tentar.
No início, Fabiana viveu em dois mundos ao mesmo tempo. De dia, o trabalho corporativo, a estabilidade do CLT, a segurança de um salário no final do mês. À noite, a pizzaria, a operação, o forno quente e o cheiro de massa fermentando. Foram seis anos construindo algo enquanto ainda segurava o outro com as mãos.
Até que chegou o momento em que segurar os dois lados deixou de fazer sentido.
“Chegou um momento que eu já não estava muito feliz. O Rafa sempre me chamava para vir 100% trabalhar, se dedicar comigo. E então foi nesse momento que eu decidi largar tudo e me dedicar totalmente à pizzaria”, conta Fabiana.
Foi quando ela se jogou de vez, que a pizza começou a revelar sua profundidade. Não era só um negócio. Era química, biologia, tempo — a longa fermentação que transforma farinha e água em algo vivo. Fabiana se especializou, estudou, se formou na Escola Italiana de Pizzaiolo e entendeu que havia um universo inteiro esperando por ela dentro de uma massa bem feita. Desse mergulho nasceu a Carboretto Pizza — a segunda casa do casal, dedicada à pizza clássica italiana, ao produto artesanal, aos produtores locais da região de Limeira.
Em 2021, a vida trouxe um peso que nenhum forno consegue preparar alguém para carregar. O diagnóstico de câncer de mama chegou e virou tudo de cabeça para baixo. Foi a fase mais dolorosa, como ela mesma descreve. Mas foi também nesse período que a relação de Fabiana com a pizza mudou de natureza.
“Eu me refugiei para a pizza. Passava algumas horas do meu dia me dedicando àquilo e aquilo me fazia muito bem. E foi de onde eu renasci”, revela ela.
Renascer tem um peso diferente quando vem de quem realmente passou por isso. E foi desse renascimento que Fabiana voltou com um olhar ainda mais apurado para tudo: o produto, o processo, os equipamentos, as parcerias. Foi nesse contexto que ela chegou até a Ramalhos.
Em um evento na Viva Bakery, em Americana, mais de 100 pizzas foram assadas em um forno Ramalhos em uma única noite. Uma noite de pizzas e vinhos que deixou uma marca.
“E desde então eu vi a qualidade do produto e sabia que era aquilo que eu queria para o meu negócio.”
Hoje, o forno Ramalhos faz parte da Carboretto — e faz parte também dos planos que Fabiana e Rafael têm para o futuro. A ideia de um Mercato, onde os produtos da pizzaria possam chegar à mesa das famílias durante o dia, passa por essa parceria. É uma expansão que ainda está sendo construída, tijolo por tijolo, assim como foi o primeiro forno.
Em 2023, a Carboretto recebeu o selo de qualidade italiana — o único da região. Um reconhecimento que veio de avaliadores anônimos, sem avisos, sem ensaios. Só o produto falando por si. E no ano seguinte, Fabiana foi ao Campeonato Nacional de Pizzaiolos, competiu entre mais de 120 participantes na categoria de pizza clássica e saiu com o título de melhor pizzaiola do Brasil — a primeira mulher a conquistá-lo.
Agora, ela embarca para Las Vegas representar o Brasil no Expo Pizza, a maior feira de pizza do mundo. Mas mais do que o título, ela carrega uma mensagem:
“Eu vou estar lá, acima de tudo, para representar nós mulheres. Para mostrar que, independentemente de sexo ou força, nós estamos de igual para igual e somos capazes de conquistar os mais altos títulos.”
De R$ 700 a Las Vegas. De um forno improvisado a um selo italiano. De uma noite assando 100 pizzas à parceria que vai ajudar a abrir novos negócios. A história de Fabiana Tamashiro é, acima de tudo, uma história sobre o que acontece quando alguém decide, de verdade, apostar em um propósito.


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